Dr ciro reis

Reparo Mitral Transcateter — Edge-to-Edge (TEER)

Resumo em 1 minuto: o reparo mitral transcateter borda-a-borda (em inglês, edge-to-edge repair, ou TEER) trata a insuficiência mitral (vazamento da valva mitral) por cateter, sem abrir o tórax e com o coração batendo. Um pequeno clipe (dispositivos como MitraClip e PASCAL) é levado pela veia da virilha até o coração e aproxima as bordas dos dois folhetos da valva, reduzindo o vazamento. É indicado sobretudo para pacientes com insuficiência mitral importante e alto risco para cirurgia aberta, ou com insuficiência que persiste apesar do tratamento clínico otimizado. Recuperação rápida (alta em 1–3 dias na maioria). Indicação sempre individualizada pelo Heart Team.

1. O que é?

É o reparo da valva mitral por cateter, na técnica borda-a-borda: um clipe captura as bordas dos folhetos anterior e posterior no ponto do vazamento e as mantém unidas, criando um "duplo orifício" que reduz o refluxo de sangue.

  • Dispositivos: clipes dedicados (ex.: MitraClip, PASCAL).
  • Acesso: veia femoral (virilha) + punção transseptal (passagem controlada entre os átrios).
  • Guiado por imagem: ecocardiograma transesofágico 3D durante todo o procedimento.

Como se avalia se você é candidato:

  • Ecocardiograma transesofágico 3D: define a anatomia dos folhetos e se o clipe é viável.
  • Ecocardiograma transtorácico: gravidade da insuficiência e função do coração.
  • Avaliação do Heart Team: cardiologista, cirurgião cardiovascular e equipe de imagem decidem juntos.

2. Quais são os sinais e sintomas (da insuficiência mitral)?

Podem evoluir devagar. Os mais comuns:

  • Falta de ar aos esforços (e, depois, ao deitar)
  • Cansaço e queda do rendimento
  • Palpitações (frequentemente fibrilação atrial)
  • Inchaço nas pernas em fases mais avançadas

Alerta – emergência: falta de ar súbita e intensa (edema agudo de pulmão), dor no peito ou desmaio — procure atendimento de emergência imediatamente.

3. Para quem é indicado?

Em geral, para insuficiência mitral importante e sintomática quando:

  • O risco da cirurgia aberta é alto (idade, fragilidade, outras doenças) — sobretudo na insuficiência primária (degenerativa, por prolapso/ruptura de cordas); ou
  • A insuficiência é secundária (funcional, do coração dilatado/insuficiência cardíaca) e persiste apesar do tratamento clínico otimizado.

A anatomia da valva (vista no eco transesofágico) precisa ser favorável ao clipe. A escolha entre clipe, cirurgia (plastia ou troca) e tratamento clínico é do Heart Team, caso a caso.

4. Como é feito?

  • Anestesia geral, com ecocardiograma transesofágico guiando o procedimento.
  • Cateter pela veia da virilha; punção transseptal para alcançar o átrio esquerdo.
  • O clipe é posicionado sobre o ponto do vazamento e captura os dois folhetos; o resultado é avaliado na hora (pode-se usar mais de um clipe, se necessário).
  • Duração habitual de ~1–3 horas.

5. O que esperar depois?

Recuperação

  • Internação curta (alta em 1–3 dias na maioria).
  • Retorno gradual às atividades em cerca de 1 semana.
  • Melhora da falta de ar e do fôlego costuma ser perceptível nas primeiras semanas.
  • Antiplaquetário/anticoagulante por um período, definido caso a caso.

Seguimento

  • Ecocardiograma de controle periódico para avaliar o resultado e eventual insuficiência residual.
  • Acompanhamento da insuficiência cardíaca e do ritmo (fibrilação atrial), com ajuste das medicações.
  • Cuidados com saúde bucal e prevenção de endocardite (converse sobre profilaxia).

Quando procurar ajuda com urgência

Falta de ar intensa ou que piora rápido, dor no peito, palpitações persistentes, desmaio, febre persistente, ou sangramento/dor na virilha — procure atendimento imediatamente.

Como se preparar para a consulta e exames

Leve ecocardiogramas e exames prévios, lista de medicações (especialmente anticoagulantes/antiplaquetários), alergias e histórico de outras doenças. A equipe orienta jejum e ajustes de medicação.

Perguntas frequentes (FAQ)

O clipe substitui a cirurgia da valva mitral?

Não em todos os casos. A cirurgia (plastia ou troca) segue sendo excelente opção para muitos pacientes; o clipe destaca-se quando o risco cirúrgico é alto ou na insuficiência funcional refratária. O Heart Team decide junto com você.

O clipe fica para sempre?

Sim — ele é permanente e, em algumas semanas, é recoberto pelo próprio tecido da valva.

E se ainda sobrar vazamento?

Pequenos vazamentos residuais podem ocorrer e são acompanhados por eco; em casos selecionados é possível implantar outro clipe ou considerar cirurgia.

Vou precisar de anticoagulante?

Depende de outras condições (ex.: fibrilação atrial). Em geral usa-se antiplaquetário por um período; o esquema é individualizado.

Avisos importantes

Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação médica individual. Indicações e condutas variam por paciente e são definidas em consulta e por equipe multidisciplinar (Heart Team).