Dr ciro reis

Fechamento do Apêndice Atrial Esquerdo (LAAO)

Resumo em 1 minuto: o apêndice atrial esquerdo é uma pequena "bolsa" natural do átrio esquerdo. Na fibrilação atrial, é nele que se forma a maioria dos coágulos que podem causar AVC. O fechamento percutâneo (LAAO) implanta, por cateter e sem abrir o tórax, um dispositivo (ex.: Watchman, Amplatzer Amulet) que sela essa bolsa, reduzindo o risco de AVC ligado a ela. É uma alternativa para quem tem fibrilação atrial e não pode usar anticoagulante a longo prazo (ex.: sangramentos importantes). Alta em geral em 1 dia. Indicação individualizada por equipe especializada.

1. O que é?

É a oclusão do apêndice atrial esquerdo com um dispositivo autoexpansível entregue por cateter, que fecha a entrada da "bolsa" e impede que coágulos formados ali cheguem à circulação.

  • Acesso: veia femoral (virilha) + punção transseptal (passagem controlada entre os átrios).
  • Dispositivos: oclusores dedicados (ex.: Watchman FLX, Amplatzer Amulet), escolhidos pela anatomia.
  • Em semanas a meses, o dispositivo é recoberto pelo próprio tecido do coração.

Como se avalia:

  • Ecocardiograma transesofágico e/ou angiotomografia: medem o apêndice e planejam o tamanho do dispositivo (e afastam trombo antes do procedimento).
  • Avaliação do risco de AVC (escore CHA₂DS₂-VASc) e do risco de sangramento.

2. Quais são os sinais e sintomas?

O apêndice atrial esquerdo em si não causa sintomas — o problema é o risco de AVC na fibrilação atrial. A fibrilação atrial pode causar:

  • Palpitações (coração "descompassado")
  • Cansaço e queda do rendimento
  • Tontura

Alerta – emergência (sinais de AVC): fraqueza ou dormência súbita de um lado do corpo, fala enrolada, boca torta, perda súbita de visão ou desmaio — acione o SAMU (192) imediatamente.

3. Para quem é indicado?

Em geral, para pessoas com fibrilação atrial não-valvar e risco aumentado de AVC que não podem usar anticoagulante a longo prazo ou não o toleram — por exemplo:

  • Sangramentos importantes prévios (digestivo, cerebral) com o anticoagulante;
  • Risco alto de sangramento (quedas de repetição, outras condições);
  • Impossibilidade prática de manter a anticoagulação de forma segura.

Importante: para quem usa anticoagulante bem e sem complicações, a anticoagulação continua sendo o tratamento padrão. A indicação do fechamento é sempre individualizada.

4. Como é feito?

  • Anestesia (geral ou sedação), frequentemente com eco transesofágico guiando.
  • Cateter pela veia da virilha; punção transseptal até o átrio esquerdo.
  • O dispositivo é posicionado na entrada do apêndice e liberado após checagem de posição e vedação (eco + contraste).
  • Duração habitual de ~1 hora.

5. O que esperar depois?

Recuperação

  • Internação curta (alta geralmente em 1 dia).
  • Retorno às atividades leves em poucos dias.
  • Medicação antitrombótica por um período (esquema individualizado) enquanto o dispositivo é recoberto pelo tecido.

Seguimento

  • Eco transesofágico ou tomografia de controle (em geral entre 45 e 90 dias) para confirmar a vedação e afastar trombo no dispositivo.
  • Confirmada a boa vedação, muitas vezes é possível simplificar a medicação (frequentemente apenas antiplaquetário) — decisão médica.
  • Acompanhamento regular da fibrilação atrial e dos fatores de risco.

Quando procurar ajuda com urgência

Sinais de AVC (fraqueza súbita de um lado, fala enrolada, boca torta) — SAMU 192. Também: dor no peito, falta de ar importante, febre persistente, ou sangramento/dor/frieza na perna do acesso — procure atendimento imediatamente.

Como se preparar para a consulta e exames

Leve exames prévios (ecos, tomografias, Holter), lista completa de medicações (especialmente anticoagulantes), histórico de sangramentos, alergias (incluindo a contraste) e função renal. A equipe orienta o que suspender e quando.

Perguntas frequentes (FAQ)

Vou poder parar o anticoagulante?

Esse costuma ser o objetivo: após o período de cicatrização e a confirmação por imagem de que o apêndice está bem vedado, muitas vezes é possível suspender a anticoagulação e manter medicação mais simples. A decisão é sempre médica e individualizada.

O procedimento cura a fibrilação atrial?

Não. A fibrilação atrial continua e segue precisando de acompanhamento (controle de ritmo/frequência). O fechamento reduz o risco de AVC relacionado ao apêndice.

O dispositivo é seguro? Fica para sempre?

Sim, fica permanente e é recoberto pelo tecido do coração em semanas a meses. O seguimento por imagem confirma a vedação e a boa posição.

Se eu tolero bem o anticoagulante, devo fechar o apêndice?

Em geral, não — a anticoagulação continua sendo o padrão para quem a usa com segurança. O fechamento é voltado a quem não pode ou não tolera o anticoagulante a longo prazo.

Avisos importantes

Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação médica individual. Indicações e condutas variam por paciente e são definidas em consulta e por equipe multidisciplinar.