Dr ciro reis

Endopróteses — Tratamento endovascular da aorta (EVAR / TEVAR)

Resumo em 1 minuto: endoprótese é uma "prótese-tubo" revestida, montada sobre uma malha metálica, usada para tratar aneurismas e dissecções da aorta por dentro do vaso — sem abrir o tórax ou o abdome. Ela é levada dobrada dentro de um cateter, em geral pela artéria da virilha, e aberta no ponto doente, criando um novo canal por onde o sangue passa e aliviando a pressão sobre a parede da aorta. Chama-se EVAR na aorta abdominal e TEVAR na torácica. A recuperação costuma ser mais rápida que a da cirurgia aberta, mas exige acompanhamento por imagem por toda a vida. A indicação é individualizada, conforme a anatomia.

1. O que é?

É o reparo da aorta por via endovascular (por dentro do vaso, via cateter), com uma endoprótese que isola a área doente (aneurisma ou dissecção).

  • EVAR (Endovascular Aneurysm Repair): aorta abdominal.
  • TEVAR (Thoracic EVAR): aorta torácica.
  • Endopróteses fenestradas/ramificadas: modelos com "janelas"/ramos para preservar artérias importantes (renais, viscerais) em aneurismas complexos, em centros especializados.

Como se avalia:

  • Angiotomografia (TC): exame central — mede a aorta, define zonas de fixação e planeja o tamanho/tipo da endoprótese.
  • Avaliação das artérias de acesso (virilha) e da função renal.

2. Quais são os sinais e sintomas?

Aneurismas costumam ser silenciosos e achados em exames. Quando há sintomas:

  • Dor profunda e persistente no abdome, peito ou costas
  • Pulsação abdominal (em pessoas magras)
  • Sintomas de compressão (rouquidão, dificuldade para engolir, nos torácicos)

Alerta – emergência: dor súbita e intensa "em rasgo" no peito/costas/abdome, desmaio ou queda de pressão — pode ser dissecção ou ruptura. Procure emergência imediatamente.

3. Para quem é indicada?

A escolha entre endoprótese e cirurgia aberta depende da anatomia (zonas de fixação, tortuosidade, diâmetro dos acessos), idade, comorbidades e experiência do centro. A endoprótese é atraente por ser menos invasiva; a cirurgia aberta pode ser preferível em anatomia desfavorável ou pacientes jovens. Aneurismas com indicação de reparo que não são tratados no momento certo têm risco de ruptura ou dissecção.

4. Como é feito?

  • Anestesia (geral ou regional, conforme o caso).
  • Punção/pequeno corte nas virilhas; a endoprótese é levada e liberada com precisão guiada por raio-X.
  • Confirma-se a exclusão do aneurisma (sem vazamentos) antes de finalizar.
  • Duração variável conforme a complexidade.

5. O que esperar depois?

Recuperação

  • Internação geralmente curta (bem menor que a cirurgia aberta).
  • Retorno gradual às atividades em cerca de 1–2 semanas.
  • Acompanhamento vitalício por imagem para detectar endoleaks (pequenos vazamentos) e checar a fixação da endoprótese.

Seguimento

  • Angiotomografia/ultrassom de controle em intervalos definidos (ex.: primeiro ano mais próximo, depois anual).
  • Controle rigoroso da pressão, suspensão do cigarro, colesterol e demais fatores de risco.

Quando procurar ajuda com urgência

Dor abdominal/torácica nova ou intensa, desmaio, febre persistente, ou dor/frieza/palidez na perna do acesso — procure atendimento imediatamente.

Como se preparar para a consulta e exames

Leve tomografias e exames prévios, lista de medicações (em especial anticoagulantes/antiplaquetários), alergias (incluindo a contraste) e histórico de doença renal. A equipe orienta o preparo.

Perguntas frequentes (FAQ)

Endoprótese ou cirurgia aberta?

Depende da anatomia e do seu perfil clínico — é uma decisão individualizada.

O que são endoleaks?

Pequenos vazamentos de sangue para o saco do aneurisma; por isso o acompanhamento por imagem é essencial.

Preciso repetir exames a vida toda?

Sim — o seguimento por imagem é parte do tratamento.

A recuperação é mais rápida?

Em geral sim, comparada à cirurgia aberta, mas varia com cada caso.

Avisos importantes

Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação médica individual. Indicações, limiares e condutas variam por paciente e são definidos em consulta e por equipe multidisciplinar.