Dr ciro reis

Forame Oval Patente (FOP)

Resumo em 1 minuto: o forame oval é uma “portinha” natural entre os átrios que normalmente fecha após o nascimento. Em cerca de 1 em cada 4 adultos, ela permanece patente (aberta em forma de “túnel” com válvula). Na imensa maioria, o FOP não causa sintomas nem exige tratamento. Em casos selecionados, após um AVC isquêmico “criptogênico” (sem outra causa encontrada), o fechamento por cateter pode reduzir o risco de novos AVCs.

1. O que é?

forame oval patente (FOP) é uma comunicação valvulada no septo entre os átrios. Diferente de uma CIA (comunicação interatrial), o FOP é um túnel com uma “válvula” que só abre com aumentos transitórios de pressão no átrio direito (ex.: tossir, espirrar, fazer força).


Diagnóstico: feito pelo ecocardiograma, muitas vezes com microbolhas (soro agitado) para ver se há passagem de sangue direita → esquerda.

2. Quais são os sinais e sintomas?

  • Geralmente nenhum. A maioria descobre por acaso em exames.
  •  
  • Em algumas pessoas, o FOP está associado (não necessariamente como causa) a:
    • AVC isquêmico/TIA por êmbolo paradoxal (coágulo que “passa” do lado direito para o esquerdo do coração).
    • Enxaqueca com aura(relação variável; fechar o FOP não é tratamento de rotina para enxaqueca).
    • Doença descompressiva em mergulhadores (casos selecionados).
    • Platipneia-ortodeóxia (falta de ar que piora ao ficar em pé e melhora deitado — raro).
 

Sinais de alerta (emergência): sintomas de AVC (fraqueza em um lado, fala enrolada, assimetria facial, perda visual súbita) exigem pronto atendimento imediato.

3. O que esperar? (história natural)

  • O FOP é comum e, na maioria, benigno durante toda a vida.
  • risco de AVC por FOP é baixo na população geral, mas maior em pessoas que já tiveram AVC/TIA sem outra causa identificada, especialmente quando há shunt grandeaneurisma do septo atrial ou outras características anatômicas de alto risco.
  • Sem uma história de evento embólico, costuma-se apenas acompanhar, sem intervenções.

4. Como tratar? (opções atuais)

Na maioria dos casos, não é necessário tratar. As opções dependem do contexto clínico:

 

 

  • Medidas gerais para todos:
    • Controle de fatores de risco vascular(pressão, diabetes, colesterol), não fumar, atividade física e alimentação cardioprotetora.
    • Em viagens longas/condições de risco para trombose venosa, medidas de prevenção (hidratação, mobilidade; anticoagulação quando indicada por outro motivo).
  • Após AVC isquêmico/TIA sem causa identificada (criptogênico), em adultos selecionados:
    • Fechamento percutâneo do FOP(dispositivo por cateter na virilhapode reduzir recorrência de AVC quando comparado ao tratamento medicamentoso isolado, após investigação completa para excluir outras causas (como fibrilação atrial e doenças das artérias).
    • A decisão é do Heart–Brain Team (cardiologia, neurologia, hemodinâmica, cirurgia), considerando idadeanatomia do FOPtamanho do shuntaneurisma do septofatores trombóticos e preferências do paciente.
    • Se não houver fechamento, utiliza-se antiplaquetário (p. ex., AAS) ou, em situações específicas (trombose venosa, trombofilia), anticoagulante — decisão individual.
  • Indicações especiais (casos selecionados):
    • Doença descompressiva recorrente em mergulhadores, apesar de medidas preventivas.
    • Platipneia-ortodeóxia com evidência de shunt significativo.
 

Enxaqueca com aura: a oclusão do FOP não é tratamento padrão. Pode ser considerada apenas em situações muito específicas, após avaliação conjunta (neurologia/cardiologia) e falha de terapias convencionais.

5. O que esperar depois do tratamento?

A) Seguimento sem fechamento

  • Vida normal na imensa maioria.
  • Controle de fatores de risco
  • Em quem já teve AVC/TIA, uso de antiplaquetário (ou anticoagulante quando indicado) e acompanhamento com neurologia/cardiologia.

B) Após fechamento percutâneo

  • Recuperação: alta precoce; evitar esforço pesado por alguns dias.
  • Medicações: costuma-se usar dupla antiagregação por um período curto (geralmente 1–6 meses, conforme o dispositivo/protocolo) e depois um antiagregante a longo prazo (duração individual).
  • Riscosfibrilação atrial pode ocorrer nas primeiras semanas/meses (geralmente transitória); trombo no dispositivo é raro (reduzido com a antiagregação); shunt residual pode ocorrer e costuma ser pequeno.
  • Endocardite: recomenda-seprofilaxia antibiótica apenas nos primeiros 6 meses (até “endotelizar”) ou se houver shunt residual significativo.
  • Exames de controleecocardiograma com bolhas em 3–6 meses para confirmar o fechamento e seguir a longo prazo conforme orientação.

Quando procurar ajuda com urgência

  • Sinais de AVC/TIA(fraqueza em um lado, fala enrolada, perda visual súbita, desequilíbrio)
  • Palpitações rápidas e sustentadas, desmaio ou dor torácica após o procedimento
  • Dor/inchaço importante na perna (sinal de trombose venosa)

Como se preparar para a consultas e exames

  • Traga ecocardiogramas prévios (com teste de microbolhas se houver).
  • Leve relatórios neurológicos e exames de imagem cerebral se já teve AVC/TIA.
  • Anote sintomas (palpitações, desmaios, enxaqueca — frequência e gatilhos).
  • Informe uso de anticoagulantes/antiagregantes e alergias.

Perguntas frequentes (FAQ)

1) FOP é o mesmo que CIA?

Não. FOP é uma fenda valvulada e intermitenteCIA é um defeito anatômico aberto. As indicações de fechamento são diferentes.

2) Todo FOP deve ser fechado para “prevenir AVC”?

Não. A maioria não precisa. O fechamento é considerado após um AVC/TIA criptogênico, em adultos selecionados, após investigação completa.

3) Fechar o FOP cura enxaqueca?

Não há recomendação de rotina para isso. Pode ajudar em poucos casos específicos; decisão é individual com a neurologia.

4) Posso praticar esportes e viajar?

Em geral, sim. Para mergulho, converse com seu médico; em casos de problemas descompressivos, o fechamento pode ser discutido.

5) E durante a gravidez?

O FOP isolado raramente requer ação. Se houver história de trombose/AVC, a obstetrícia e a cardiologia definem prevenção personalizada (p. ex., heparina em alguns cenários).

Avisos importantes

  • Este conteúdo não substitui a consulta médica.
 
  • As decisões sobre fechar ou não fechar o FOP devem ser tomadas por equipe especializada, considerando história clínica, anatomia do FOP, risco de trombose/AVC e suas preferências.