1. O que é?
A estenose aórtica é o estreitamento da válvula aórtica, que controla a saída do sangue do coração para o corpo. Com a válvula “dura” ou calcificada, o coração precisa fazer mais força para bombear. Em adultos, a causa mais comum é o desgaste com calcificação ao longo dos anos; em pessoas mais jovens, pode haver válvula bicúspide (nascida com duas “portas” em vez de três).
Como se diagnostica?
O principal exame é o ecocardiograma, que mede a gravidade e o impacto no coração.
2. Quais são os sinais e sintomas?
• Falta de ar aos esforços, que pode evoluir para repouso
• Dor no peito (angina)
• Tontura ou desmaio
• Cansaço, pernas inchadas, ganho de peso por retenção de líquido
• Em fases iniciais, pode não dar sintomas
Atenção: sintomas novos ou que pioram são sinais de alerta (veja “Quando procurar ajuda com urgência”, abaixo).
3. O que esperar? (história natural)
A estenose aórtica costuma piorar lentamente. Muitos permanecem bem por um tempo, mas depois que surgem sintomas na doença grave, o risco de internações e morte aumenta se a válvula não for trocada. Por isso, quando há estenose grave + sintomas (ou sinais de sobrecarga do coração), geralmente indica-se intervenção.
4. Como tratar? (opções atuais)
• Acompanhamento: indicado para casos leves ou moderados, ou graves sem sintomas e sem sinais de risco. Envolve consultas e ecocardiogramas periódicos.
• Troca da válvula aórtica (muda o prognóstico nos casos candidatos à intervenção):
- TAVI (implante por cateter): feito por punção, geralmente na virilha, sem abrir o tórax. Recuperação mais rápida, especialmente em pessoas mais idosas ou com maior risco cirúrgico.
- Cirurgia (SAVR): troca da válvula por prótese biológica (não exige obrigatoriamente anticoagulante vitalício, mas pode desgastar com os anos) ou prótese mecânica (dura mais, porém exige varfarina para manter o INR controlado).
Qual escolher?
A decisão é individualizada, feita pelo Heart Team (cardiologista clínico, hemodinamicista e cirurgião), levando em conta idade, expectativa de vida, anatomia, outras doenças, preferência do paciente e plano para possíveis reintervenções no futuro.
5. O que esperar depois do tratamento?
A) Depois do TAVI
• Recuperação: costuma ser rápida; alta em poucos dias em centros experientes.
• Medicamentos: em quem não precisa de anticoagulante por outro motivo, geralmente usa-se um antiagregante(como AAS). Quem já usa anticoagulante por outras razões geralmente mantém só o anticoagulante.
• Riscos possíveis: necessidade de marcapasso, vazamento ao redor da prótese (na minoria dos casos), sangramentos e derrame/AVC.
• Acompanhamento: consultas e ecocardiogramas para checar o funcionamento da válvula.
B) Depois da cirurgia (SAVR)
• Recuperação: internação um pouco maior, cuidados com a ferida e fisioterapia.
• Prótese biológica: pode-se usar AAS ou, por curto período, anticoagulante (varia por protocolo); depois, normalmente só antiagregante.
• Prótese mecânica: requer varfarina por toda a vida com INR monitorado (exame de sangue).
• Acompanhamento: consultas regulares e ecocardiogramas.
Quando procurar ajuda com urgência
Procure emergência se você apresentar:
• Dor no peito intensa ou que não melhora em minutos
• Falta de ar importante em repouso ou piora súbita
• Desmaio (ou quase desmaio)
• Inchaço súbito, ganho rápido de peso, piora do cansaço
Como se preparar para a consultas e exames
• Traga ECGs e Holter antigos, além da lista de medicamentos (incluindo fitoterápicos).
• Anote sintomas (quando ocorrem, duração, gatilhos).
• Se já possui marcapasso, leve a carteira do dispositivo (marca/modelo).