Dr ciro reis

Doença Arterial Coronariana (Coronariopatias)

Resumo em 1 minuto: as coronárias são as artérias que levam sangue ao músculo do coração. Quando ficam estreitasou obstruídas por placas de gordura (aterosclerose) ou sofrendo espasmo/disfunção microvascular, surge isquemia(falta de oxigênio). Os sintomas típicos são dor/pressão no peito aos esforços, que melhora ao repouso; no infarto, a dor não passa e pode vir com suor frio, falta de ar e náuseas. O tratamento combina estilo de vidamedicamentos (que aliviam sintomas e reduzem risco) e, quando indicado, angioplastia com stent ou cirurgia de ponte (CRM) — decisão do Heart Team.

1. O que é?

“Coronariopatias” abrangem condições que reduzem o fluxo de sangue nas artérias do coração:

 

  • Aterosclerose (a mais comum): placas de gordura endurecem/estreitam a coronária.
  • Vasoespasmo (angina de Prinzmetal): contração transitória da artéria.
  • Doença microvascular(INOCA/ANOCA): disfunção dos vasos muito pequenos, mesmo com coronárias “grandes” sem obstrução importante.
 

Como se diagnostica?
Começa com história clínica e exame físicoECG e exames de sangue (p. ex., troponina em dor aguda). Para investigar isquemia: teste ergométricoeco de estresse ou cintilografia/ressonância de perfusão. Para ver anatomia: angiotomografia de coronárias ou cateterismo (padrão-ouro quando planejamento de intervenção é necessário).

2. Quais são os sinais e sintomas?

  • Dor/pressão/desconforto no peito (às vezes no braço esquerdo, mandíbula, costas ou “boca do estômago”)
  • Falta de ar, cansaço aos esforços
  • Suor frio, náuseatontura
  • Em mulheres, idosos e diabéticos os sintomas podem ser atípicos (cansaço, falta de ar, desconforto abdominal)
 

Alerta de emergência (suspeita de infarto): dor no peito forte, opressiva, >10–15 min, que não melhora com repouso/medicação, associada a falta de ar, sudorese, enjoo ou mal-estar intenso → procure emergência imediatamente.

3. O que esperar? (história natural)

A aterosclerose é progressiva se não tratada. Placas podem romper e formar coágulo, levando a infarto. Controlar pressão, glicemia, colesterol e parar de fumar reduz eventos. Em vasoespasmo, episódios tendem a ser intermitentes; já na microvascular, os exames podem ser normais para grandes artérias, mas persiste dor aos esforços ou dispneia, exigindo tratamento e seguimento.

4. Como tratar? (opções atuais)

A) Medidas para todos

  • Parar de fumar(inclui vapes) — impacto maior na redução de eventos.
  • Atividade física regular, dieta cardioprotetora (frutas/verduras, fibras, gorduras insaturadas; reduzir ultraprocessados, açúcar e sal).
  • Controle rigoroso de pressão, colesterol e diabetes (metas individualizadas; LDL geralmente baixo em quem já teve evento).
  • Vacinação em dia (influenza, pneumococo quando indicado).

B) Medicamentos

  • Antianginosos(para aliviar sintomas):
    betabloqueador é base; bloqueadores de canal de cálcionitratos e ranolazina podem ser associados conforme necessidade e tolerância.
    • Em vasoespasmo: priorizam-se bloqueadores de canal de cálcio; nitratos ajudam.
    • Em microvascular: otimizar fatores de risco + antianginosos (incl. ranolazina) pode reduzir sintomas.
 
  • Antiagregantes plaquetários(p. ex., AAS; após stent/infarto, combinações com P2Y12 por período definido pelo cardiologista).
  • Estatinas(e, se necessário, ezetimiba/PCSK9) para reduzir LDL e estabilizar placas.
  • IECA/ARA(e betabloqueador) em muitos pacientes com pressão alta, disfunção do ventrículo esquerdo, diabetes ou doença estabelecida.
  • Controle do diabetes com foco cardioprotetor quando indicado (p. ex., SGLT2 e/ou GLP-1 conforme perfil).

C) Revascularização (quando indicada)

  • Angioplastia com stent (ICP): via cateter pela artéria do punho ou virilha, abre a coronária com balão e stentRecuperação rápida.
  • Cirurgia de revascularização miocárdica (CRM/pontes): indicada em casos como doença de múltiplos vasostronco da coronária esquerdadiabetes com anatomia complexa ou disfunção do ventrículo esquerdo — pode oferecer melhor prognóstico em perfis selecionados.
 
  • A escolha é do Heart Team, considerando anatomiariscosintomas e preferências

5. O que esperar depois do tratamento?

A) Seguimento clínico (sem intervenção)

  • Aderência aos remédios e ao estilo de vida é fundamental.
  • Ajustes de medicação para ficar sem dor e atingir metas (pressão, glicemia, colesterol).
  • Reabilitação cardíaca supervisionada melhora sintomas, segurança e qualidade de vida.

B) Após angioplastia com stent

  • Alta precoce na maioria; evitar esforço pesado por alguns dias na artéria puncionada.
  • Antiagregação: geralmenteduas medicações por um período definido pelo seu médico; depois uma a longo prazo.
  • Sinais de alerta: dor torácica nova/persistente, sangramento importante, inchaço/dor no local da punção → procurar avaliação.

C) Após cirurgia de pontes (CRM)

  • Internação um pouco mais longa, fisioterapia e cuidados com a esternotomia (quando usada).
  • Retorno gradual às atividades e reabilitação cardíaca.
  • Mesmo com pontes, medicações e estilo de vida seguem essenciais para evitar progressão da doença.

Quando procurar ajuda com urgência

  • Dor/pressão no peito intensa ou prolongada (≥10–15 min)
  • Falta de ar importante, desmaiosuor frionáuseas
  • Dor que irradia para braço esquerdo, mandíbula, costas ou que aparece em repouso/noturno

Como se preparar para a consultas e exames

  • Traga lista de sintomas (quando ocorrem, duração, o que piora/melhora).
  • Leve exames prévios (ECG, testes de isquemia, cateterismo, tomografia).
  • Medicamentos: nome e dose; informe alergias e se usa anticoagulantes/antiagregantes.
  • Pergunte sobre reabilitação cardíacaretorno ao trabalho e programa de exercícios.

Perguntas frequentes (FAQ)

1) “Tenho dor no peito, é sempre coração?”

Não. Há causas musculares, digestivas e pulmonares. Dor típica cardíaca é em pressão, aos esforços, melhora com repouso. Na dúvida, procure avaliação.

2) Se minhas artérias estão “limpas” na angiotomografia, posso ter isquemia?

Sim, em doença microvascular ou espasmo. Tratamento existe e melhora sintomas.

3) Vou precisar de stent ou cirurgia obrigatoriamente?

Nem sempre. Muitos pacientes controlam sintomas e risco com medicamentos e hábitos. Intervenção é indicada por sintomas refratários e/ou anatomias de maior risco/prognóstico.

4) Posso fazer exercícios?

Com liberação médica, exercícios regulares são parte do tratamento. A intensidade é individualizada; a reabilitação cardíaca é o caminho mais seguro.

5) Preciso tomar remédios “para sempre”?

Alguns, sim (p. ex., estatinasAAS em muitos casos). Outros podem ser ajustados conforme sintomas/controle. A decisão é personalizada.

Avisos importantes

  • Este conteúdo não substitui a consulta médica.
 
  • As decisões devem ser tomadas com seucardiologista e, quando necessário, pelo Heart Team, considerando sintomas, exames, risco e suas preferências.