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Revascularização

Ponte de safena: como é feita a revascularização e como é a recuperação

Por Dr. Ciro Reis · Cirurgião Cardiovascular · CRM-GO 19.158 · RQE 18.416

A cirurgia de revascularização do miocárdio, conhecida popularmente como ponte de safena, é a cirurgia cardíaca mais realizada no Brasil e no mundo. Ela não desentope a artéria doente: cria um caminho novo para o sangue chegar ao músculo do coração, contornando a obstrução. Este artigo explica quando ela é indicada, como é feita e o que esperar da recuperação, em linguagem de paciente.

Por que uma artéria do coração entope

As artérias coronárias são os vasos que alimentam o próprio músculo cardíaco. Com o tempo, placas de gordura e cálcio podem se depositar na parede desses vasos e reduzir o fluxo de sangue, num processo chamado aterosclerose. Quando o músculo passa a receber menos sangue do que precisa, aparecem os sintomas: dor ou aperto no peito ao esforço, que melhora com o repouso, falta de ar, cansaço desproporcional. Em casos mais graves, a obstrução completa causa o infarto.

Quando a cirurgia é indicada, e quando o stent resolve

Nem toda obstrução vira cirurgia. Muitos pacientes são tratados clinicamente, com medicação e controle dos fatores de risco, e outra parte é tratada com angioplastia, o stent colocado por cateter. A cirurgia costuma entrar em cena quando o padrão da doença é mais complexo: várias artérias comprometidas, obstrução no tronco da coronária esquerda, lesões longas ou muito calcificadas, e principalmente em pacientes diabéticos, grupo em que a literatura mostra vantagem consistente da cirurgia sobre o stent na doença de múltiplos vasos.

Essa escolha não é feita por uma pessoa só. As diretrizes recomendam que a decisão entre tratamento clínico, angioplastia e cirurgia passe por um Heart Team, reunindo o cardiologista clínico, o hemodinamicista e o cirurgião cardiovascular, olhando o seu cateterismo, a sua função cardíaca e as suas outras condições de saúde.

Como a cirurgia é feita

O cirurgião retira um vaso de outra região do corpo e o utiliza como enxerto, ligando a aorta (ou a própria origem do vaso) à artéria coronária, num ponto depois da obstrução. Os enxertos mais usados são:

A cirurgia pode ser feita com circulação extracorpórea, quando uma máquina assume temporariamente a função do coração e do pulmão, ou sem circulação extracorpórea, com o coração batendo. As duas técnicas são válidas e a escolha depende da anatomia, da função do coração e da experiência da equipe.

Retirar a veia safena da perna não prejudica a circulação do membro: existem outras veias que assumem a função. É comum, porém, que a perna operada inche nas primeiras semanas, o que costuma melhorar com elevação do membro e com as orientações da equipe.

Como é a recuperação, semana a semana

A recuperação varia com a idade, com a função do coração e com as outras doenças de cada paciente, mas segue um padrão geral:

Procure atendimento se aparecer febre, vermelhidão que aumenta ou secreção na ferida, falta de ar, palpitação, inchaço ou dor em uma das pernas, ganho de peso rápido, ou uma sensação de estalo e instabilidade no osso do peito.

Quanto tempo dura uma ponte de safena

Essa é uma das perguntas mais buscadas e a resposta honesta é: depende do enxerto e do que você faz depois. Os enxertos arteriais, principalmente a mamária interna, têm a melhor durabilidade a longo prazo, e por isso são priorizados. Os enxertos de veia safena têm durabilidade menor e podem apresentar obstrução ao longo dos anos.

O ponto que raramente é dito com clareza: a cirurgia trata a obstrução que existe hoje, mas não cura a aterosclerose. O que mais influencia a duração do resultado é o controle do que causou a doença, ou seja, parar de fumar, controlar pressão, colesterol e diabetes, manter atividade física orientada e fazer o acompanhamento cardiológico. Sem isso, o mesmo processo que entupiu a artéria original age sobre o enxerto.

Onde fazer a avaliação em Goiás

O Dr. Ciro Reis é cirurgião cardiovascular em Goiânia, com título de especialista pela SBCCV e pela AMB e fellowship em cirurgia cardiovascular transcateter pelo InCor/USP. Atende pacientes de Goiânia, da região metropolitana e de outras cidades de Goiás e do Centro-Oeste encaminhados para avaliação cirúrgica. Se você tem um cateterismo em mãos e recebeu a indicação de cirurgia, levar esse exame para uma avaliação é o primeiro passo.

Fontes: Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV); Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC); 2021 ESC/EACTS Guidelines on myocardial revascularization. Conteúdo educativo, não substitui consulta médica. Indicações, técnicas e tempos de recuperação variam caso a caso e nenhuma conduta deve ser iniciada ou suspensa por conta própria.

Quer saber o que é indicado para o seu caso?

Nenhum artigo substitui uma avaliação. Agende com o Dr. Ciro Reis, em Goiânia, e saia com o diagnóstico explicado e as opções de tratamento na mesa.

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