A estenose aórtica é o estreitamento da válvula que controla a saída do sangue do coração para o corpo. Com a válvula endurecida ou calcificada, o coração precisa fazer muito mais força para bombear. É uma das doenças valvares mais comuns depois dos 65 anos e tem uma característica que engana: fica anos sem dar sinal, e quando o sintoma aparece, o cenário muda de forma importante.
O que acontece na válvula
Em adultos, a causa mais frequente é o desgaste com calcificação ao longo dos anos. Em pessoas mais jovens, é comum encontrar uma válvula bicúspide, isto é, alguém que nasceu com duas cúspides em vez de três, o que acelera esse desgaste. Existe ainda a estenose secundária a febre reumática, mais frequente em algumas regiões do Brasil.
O exame que define o diagnóstico e a gravidade é o ecocardiograma, que mede o quanto a válvula está apertada e como o coração está respondendo a esse esforço extra.
Os três sintomas que mudam o prognóstico
Na estenose aórtica grave, o aparecimento de qualquer um destes sintomas é um divisor de águas e deve levar a uma reavaliação rápida:
- Falta de ar aos esforços, que com o tempo passa a aparecer em atividades cada vez mais leves;
- Dor ou aperto no peito ao esforço, mesmo sem obstrução nas coronárias;
- Tontura, quase desmaio ou desmaio, especialmente durante esforço físico.
Também contam cansaço fora do comum, pernas inchadas e ganho de peso por retenção de líquido. Muita gente atribui esses sinais à idade, e é exatamente por isso que a doença costuma ser descoberta tarde.
Quando trocar a válvula
Casos leves e moderados costumam ser acompanhados com consultas e ecocardiogramas periódicos, sem intervenção. A troca da válvula entra em cena principalmente quando há estenose grave associada a sintomas, ou quando existem sinais de que o coração já está sofrendo com a sobrecarga, mesmo antes dos sintomas.
Um ponto importante: nenhum medicamento reverte a estenose aórtica. Remédios tratam sintomas e doenças associadas, mas o que muda o prognóstico nos casos com indicação é trocar a válvula. Adiar essa decisão em quem já tem estenose grave e sintomas costuma significar mais internações e mais risco.
TAVI ou cirurgia: como a escolha é feita
Existem hoje dois caminhos para trocar a válvula aórtica, e nenhum deles é melhor em termos absolutos.
TAVI (implante transcateter de válvula aórtica). A válvula nova é levada até o coração por um cateter, em geral por punção na virilha, sem abrir o tórax. A recuperação costuma ser mais rápida, com alta em poucos dias em centros experientes, o que pesa especialmente em pacientes mais idosos ou com maior risco cirúrgico. Entre os pontos de atenção estão a possibilidade de necessidade de marcapasso depois do procedimento e um pequeno vazamento ao redor da prótese em parte dos casos.
Cirurgia convencional (troca valvar cirúrgica). A válvula é substituída em cirurgia aberta, por prótese biológica ou mecânica. A internação tende a ser um pouco mais longa, com cuidados de ferida operatória e fisioterapia, e é uma via com décadas de resultados conhecidos, em muitos casos a mais adequada para pacientes mais jovens ou com anatomia desfavorável ao cateter.
A decisão leva em conta idade, expectativa de vida, anatomia da válvula e dos vasos, outras doenças, preferência do paciente e o planejamento de possíveis reintervenções ao longo da vida. É por isso que as diretrizes recomendam que ela seja tomada em Heart Team, reunindo cardiologista clínico, hemodinamicista e cirurgião cardiovascular.
Como é a vida depois
Depois do TAVI, a recuperação costuma ser rápida e o acompanhamento é feito com consultas e ecocardiogramas para checar o funcionamento da prótese. Depois da cirurgia, os cuidados das primeiras semanas envolvem a ferida e o osso do peito, com retorno gradual às atividades.
A necessidade de anticoagulante depois depende do tipo de prótese e das suas outras condições, e isso é definido pela equipe. Quem recebe prótese valvar também passa a fazer parte do grupo em que pode ser indicada profilaxia com antibiótico antes de alguns procedimentos dentários, para reduzir risco de endocardite. Converse com o seu cardiologista e com o seu dentista antes de cada procedimento.
Avaliação em Goiânia
O Dr. Ciro Reis é cirurgião cardiovascular em Goiânia, com certificação em TAVI e fellowship em cirurgia cardiovascular transcateter pelo InCor/USP, e opera tanto pela via convencional quanto pela transcateter. Se você tem um ecocardiograma que mostrou estenose aórtica, levar esse exame a uma avaliação é o caminho para entender em que estágio você está e quais são as opções reais.
Fontes: Diretriz Brasileira de Valvopatias, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC); Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV); 2021 ESC/EACTS Guidelines for the management of valvular heart disease; 2020 ACC/AHA Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease. Conteúdo educativo, não substitui consulta médica. A indicação e a via de tratamento são individuais.
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Nenhum artigo substitui uma avaliação. Agende com o Dr. Ciro Reis, em Goiânia, e saia com o diagnóstico explicado e as opções de tratamento na mesa.
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