A válvula mitral separa o átrio esquerdo do ventrículo esquerdo e garante que o sangue siga em uma direção só. Quando ela não fecha direito, parte do sangue volta a cada batimento, e isso se chama insuficiência mitral. Quando ela não abre direito, o sangue tem dificuldade de passar, e isso se chama estenose mitral. As duas situações podem chegar a exigir cirurgia, e a primeira pergunta que se faz não é qual prótese usar, mas se dá para não usar prótese nenhuma.
Plastia: reparar a própria válvula
A plastia valvar é a cirurgia em que o cirurgião conserta a válvula do paciente em vez de substituí-la, corrigindo o que está causando o vazamento e frequentemente reforçando o anel da válvula com um dispositivo próprio.
Quando a anatomia permite, reparar costuma ser preferível a trocar, e as diretrizes internacionais indicam essa preferência na insuficiência mitral degenerativa. As razões são diretas: preserva a estrutura própria do coração, evita as questões ligadas às próteses e, na maioria dos casos, dispensa anticoagulação por toda a vida. Nem toda válvula, porém, é reparável. Isso depende do mecanismo da doença, do grau de calcificação e de quanto tecido ainda é aproveitável, o que é avaliado pelo ecocardiograma e confirmado no centro cirúrgico.
Troca: quando a prótese é necessária
Quando a válvula está muito destruída ou calcificada, a substituição é o caminho. E aí surge a decisão que gera mais dúvida entre pacientes e famílias: prótese biológica ou prótese mecânica.
Quanto tempo dura cada prótese
Esta é provavelmente a pergunta mais buscada sobre o tema, e a resposta honesta é que as duas opções trocam uma vantagem por outra.
- Prótese biológica. Feita de tecido biológico tratado, ela em geral dispensa anticoagulação crônica, a não ser que exista outro motivo para usá-la, como fibrilação atrial. Em compensação, sofre degeneração com o passar dos anos e pode exigir uma nova intervenção no futuro. Esse desgaste tende a ser mais rápido em pacientes jovens e mais lento em pacientes idosos, o que explica por que ela costuma ser preferida em idades mais avançadas.
- Prótese mecânica. Feita de material sintético, é bem mais durável e pode acompanhar o paciente por décadas. Em contrapartida, exige anticoagulação oral por toda a vida, com controle periódico de exame de sangue para manter a coagulação na faixa certa, além dos cuidados que o uso contínuo de anticoagulante impõe.
Não existe prótese melhor em termos absolutos. A escolha considera idade, expectativa de vida, desejo de gestação, capacidade de fazer o controle de anticoagulação com regularidade, atividade profissional, outras doenças e o plano de longo prazo, incluindo a possibilidade de reintervenções. É uma decisão que deve ser conversada, não imposta.
Quando a cirurgia é indicada
Em linhas gerais, a intervenção é considerada quando a doença valvar é grave e há sintomas, ou quando, mesmo sem sintomas, aparecem sinais de que o coração começou a sofrer: aumento das câmaras, queda da função de bombeamento, elevação da pressão pulmonar ou surgimento de fibrilação atrial. Acompanhar com ecocardiogramas periódicos é o que permite pegar esse momento certo, e é por isso que sumir do acompanhamento é o maior risco de quem tem valvopatia assintomática.
Por onde a cirurgia é feita
Além da cirurgia convencional por esternotomia, parte dos casos pode ser conduzida por abordagens minimamente invasivas, com incisões menores. Existem ainda técnicas transcateter para tratamento da insuficiência mitral em pacientes selecionados, em geral de alto risco cirúrgico. Qual via é possível no seu caso depende da anatomia e do risco, e é definido em avaliação individualizada e em discussão de Heart Team.
Avaliação em Goiânia
O Dr. Ciro Reis é cirurgião cardiovascular em Goiânia, com título de especialista pela SBCCV e pela AMB e fellowship em cirurgia cardiovascular transcateter pelo InCor/USP, atuando tanto em cirurgia valvar convencional quanto em procedimentos por cateter. Se o seu ecocardiograma mostrou insuficiência ou estenose mitral, levar o exame a uma avaliação é o que permite saber se o seu caso é de acompanhar, reparar ou trocar.
Fontes: Diretriz Brasileira de Valvopatias, Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC); Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV); 2021 ESC/EACTS Guidelines for the management of valvular heart disease; 2020 ACC/AHA Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease. Conteúdo educativo, não substitui consulta médica. Nenhum medicamento deve ser iniciado, ajustado ou suspenso sem orientação do seu médico.
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