Dr ciro reis

Comunicação Interatrial (CIA)

Resumo em 1 minuto: é um orifício persistente entre os átrios (direito e esquerdo) que permite passagem de sangue de esquerda→direita, sobrecarregando o lado direito do coração e os pulmões. Muitas pessoas não têm sintomas por anos. Quando há dilatação do coração direito, arritmias ou falta de ar aos esforços, indica-se fechamento — geralmente por cateter (dispositivo “oclusor”) nos tipos favoráveis; em outros, por cirurgia. Após o fechamento, a maioria leva vida normal.

1. O que é?

comunicação interatrial (CIA) é um defeito congênito do septo que separa os átrios. Principais tipos:

  • Ostium secundum (o mais comum): geralmente no centro do septo; costuma permitir fechamento por cateter quando as bordas são adequadas.
  • Ostium primum seio venoso (associado a drenagem anômala de veias pulmonares): em geral tratam-se com cirurgia.
  • Seio coronariano(raro).
 

Como se diagnostica?
Por ecocardiograma, que mede o tamanho do defeito, o impacto no coração direito e avalia a anatomia. Em casos selecionados, ecotransesofágicoressonância ou tomografia ajudam no planejamento.

2. Quais são os sinais e sintomas?

Muitos pacientes são assintomáticos até a vida adulta. Quando presentes:

 

 

  • Falta de araos esforços, cansaço, redução do condicionamento
  • Palpitações(p. ex., fibrilação ou flutter atrial)
  • Infecções respiratóriasmais frequentes na infância
  • Em casos avançados e não tratados: inchaço nas pernas, desconforto torácico, cianose (raramente)

3. O que esperar? (história natural)

Com a passagem de sangue esquerda → direita, o átrio e o ventrículo direitos dilatam e a artéria pulmonar recebe volume aumentado. Ao longo dos anos, isso pode levar a:

 

 

  • Arritmias atriaisintolerância ao esforço
  • Hipertensão pulmonar e, tardiamente, risco de síndrome de Eisenmenger (quando a circulação “inverte” — quadro grave)
  • Embolia paradoxal/AVC(coágulo passando para o lado esquerdo) em alguns casos
    Fechar a CIA no momento adequado reduz esses riscos.

4. Como tratar? (opções atuais)

  • Acompanhamento: em defeitos pequenos, sem dilatação do coração direito e sem sintomas, pode-se apenas observar com ecocardiogramas periódicos (muitos CIAs pequenos em crianças fecham espontaneamente).
  • Fechamento por cateter (oclusor): indicado na maioria das CIAs ostium secundum com bordas adequadas e coração direito dilatado/sobrecarga de volume, ou em casos de embolia paradoxal atribuída ao defeito. Procedimento minimamente invasivo, feito pela virilha.
  • Cirurgia: preferida quando a anatomia não permite oclusor (bordas deficientes, defeitos muito grandes) ou nos tipos primum e seio venoso (frequentemente com correção da drenagem venosa pulmonar). O fechamento é feito com ponto direto ou patch (enxerto).
  • Tratamento das arritmias e de outros fatores de risco cardiovasculares, conforme necessidade.
 

Gravidez e esportes: após fechamento bem-sucedido e sem hipertensão pulmonar, a maioria das pessoas leva vida normal, incluindo gestação com acompanhamento e atividade física conforme orientação.

5. O que esperar depois do tratamento?

A) Após fechamento por cateter (oclusor)

  • Recuperação rápida, alta precoce em muitos casos.
  • Medicações: costuma-se usarantiagregante (ex.: AAS) por alguns meses.
  • Endocardite: recomenda-seprofilaxia apenas nos primeiros 6 meses (até o dispositivo “endotelizar”) ou se houver shunt residual 
  • Seguimento: ecocardiograma de controle; adilatação do coração direito tende a regredir ao longo de meses.

B) Após cirurgia

  • Internaçãoalguns dias, com fisioterapia e cuidados da incisão/esternotomia.
  • Resultados: excelente correção na maioria; pode havercicatriz e, raramente, bloqueios/arrítmias que exigem acompanhamento.
  • Endocardite: orientações semelhantes — profilaxiatemporária após a correção, salvo exceções.
  • Seguimento: consultas + ecocardiogramas periódicos.

c) Sem fechamento (quando indicado apenas observar)

  • Atividade e rotina normais se liberadas pelo cardiologista.
  • Revisões regularescom eco para monitorar tamanho do defeito, coração direito e pressões pulmonares.
  • Cuidados gerais: controle de pressão, peso, atividade física regular, não fumar.

Quando procurar ajuda com urgência

  • Palpitações rápidas e sustentadascom mal-estar, desmaio
  • Falta de ar intensaou dor torácica súbita
  • Sinais de AVC(fraqueza em um lado, fala enrolada, assimetria facial)

Como se preparar para a consultas e exames

  • Traga ecocardiogramas e ECGs anteriores.
  • Leve a lista de medicamentos e histórico familiar de cardiopatias congênitas.
  • Anote sintomas (quando começaram, duração, gatilhos).
  • Pergunte sobre apto para exercíciosviagens e gestação (se aplicável).

Perguntas frequentes (FAQ)

1) CIA é o mesmo que “PFO” (forame oval patente)?

Não. PFO é uma pequena fenda funcional que se abre com manobras de pressão; a CIA é um defeito verdadeiro do septo. O manejo e a indicação de fechamento são diferentes.

2) Toda CIA precisa fechar?

Não. CIAs pequenas sem sobrecarga do coração direito podem apenas ser acompanhadas. Fecha-se quando há dilatação do coração direitosintomas ou eventos embólicos atribuíveis ao defeito.

3) O dispositivo por cateter “fica para sempre”?

Sim, ele permanece e é recoberto pelo próprio tecido do coração em poucos meses.

4) Posso fazer esportes?

Na maioria dos casos, sim. Após o fechamento e com exames normais, a atividade é liberada progressivamente conforme orientação médica.

5) Preciso de antibiótico antes do dentista?

Não rotineiramente. Só nos primeiros 6 meses após o fechamento (cateter ou cirurgia) ou se houver shunt residual significativo; seu médico orientará.

Avisos importantes

  • Este conteúdo não substitui a consulta médica.
 
  • As decisões sobre fechar ou observar devem ser tomadas por equipe especializada (cardiologia/congênitas, hemodinâmica e cirurgia), considerando tipo de CIAtamanhoanatomia e suas preferências