Dr ciro reis

Aneurisma de Aorta

Resumo em 1 minuto: aneurisma é uma dilatação anormal da aorta (o “cano principal” do corpo). Pode ocorrer no tórax (aorta torácica) ou abdome (aorta abdominal). Geralmente não dá sintomas até ficar grande ou complicar.


O tratamento vai de acompanhamento rigoroso (controle da pressão e exames de imagem periódicos) até reparo por cateter (EVAR/TEVAR) ou cirurgia aberta, conforme tamanholocalvelocidade de crescimento e características do paciente. Decisão é individualizada por equipe multidisciplinar.

1. O que é?

É o aumento do diâmetro da aorta acima do normal para aquela região do corpo.

 

  • Aorta torácica: raiz/ascendente, arco, descendente.
  • Aorta abdominal: geralmente abaixo das artérias renais.
 

Fatores de risco: idade, hipertensãotabagismo, colesterol alto, história familiar, aterosclerose, e certas síndromes genéticas (p. ex., MarfanLoeys-DietzEhlers-Danlos), além de válvula aórtica bicúspide.

Como se diagnostica?

 

  • Ultrassom: excelente para aorta abdominal (rastreamento e seguimento).
  • Angiotomografia (TC) / Ressonância (RM): detalham medidas e anatomia para planejamento.
  • Ecocardiograma: útil para raiz e aorta ascendente.

2. Quais são os sinais e sintomas?

Na maioria das vezes, nenhum (descoberto em exames de rotina). Quando presentes:

 

 

  • Dor profunda e persistente em peito, costas ou abdômen
  • Pulsação abdominal visível/palpável (em magros)
  • Falta de ar, rouquidão ou dificuldade para engolir (aneurismas torácicos grandes)
 

Alerta – emergência: dor súbita, intensa, “em rasgo” no peito/costas/abdômen, desmaio, queda de pressão, falta de ar importante — pode ser dissecção ou ruptura. Procure emergência imediatamente.

3. O que esperar? (história natural)

A maioria cresce lentamente. O risco de complicações (dissecção/ruptura) aumenta com:

 

 

  • Maior diâmetro(quanto maior, maior o risco),
  • Crescimento rápido(≈ ≥ 0,5 cm/ano),
  • Pressão alta não controlada,
  • Tabagismo e certas doenças genéticas.
 

Sem o tratamento indicado no momento adequado, o aneurisma pode romper ou dissecar, situações de alto risco.

4. Como tratar? (opções atuais)

Acompanhamento clínico (aneurismas menores/estáveis):

 

  • Controle rigoroso da pressão arterial(geralmente meta <130/80 quando possível); betabloqueadores e/ou bloqueadores do sistema renina-angiotensina são frequentemente usados.
  • Suspender o cigarro(a medida isolada mais importante para AAA).
  • Tratar colesterol/diabetes exercício orientado.
  • Evitar esforços de força máxima/“prender a respiração”(cargas muito pesadas).
  • Imagem periódica: ultrassom/TC/RM em intervalos definidos pelo médico (p. ex., 6–12 meses), conforme tamanho e local.
 

Indicações comuns de reparo (podem variar por biotipo e condição clínica):

 

  • Aorta abdominal (AAA): em geral quando alcança≈ 5,5 cm (homens). Em mulheres e em casos de crescimento rápido ou sintomas, pode-se indicar antes.
  • Aorta torácica: frequentemente por volta de5,0–5,5 cm na ascendente/raiz (limiares mais baixos se houver síndrome genéticaválvula bicúspide com fatores de risco, história familiar ou crescimento acelerado). A descendente costuma ter limiar maior (por volta de 6,0 cm), salvo situações específicas.
  • Qualquer segmento com sintomas(dor relacionada ao aneurisma) ou crescimento rápido merece reavaliação imediata.
 

Técnicas de reparo (escolha depende de anatomia, idade, comorbidades e experiência do centro):

 

  • Endovascular:
    • EVAR(abdominal) e TEVAR (torácica): colocação de endoprótese por cateter (geralmente pela virilha). Recuperação mais rápida, menos incisiva. Requer acompanhamento vitalício por imagem para detectar endoleaks (pequenos vazamentos) e checar a fixação.
    • Endopróteses fenestradas/ramificadas: usadas em aneurismas complexos (viscerais/toracoabdominais) em centros especializados.
  • Cirurgia aberta: substituição do segmento dilatado por um enxerto de tecido sintético. Mais invasiva, porém com durabilidade excelente. Útil quando a anatomia não favorece endovascular ou em pacientes jovens
  • Raiz/ascendente: pode envolver preservação da válvula (técnicas “valve-sparing”) ou substituição da raiz com prótese valvar (mecânica/biológica) quando há doença valvar associada.
 

A melhor estratégia é definida por equipe de aorta (cirurgião cardiovascular/vascular, cardiologista, radiologista, anestesista, hemodinamicista) — caso a caso.

5. O que esperar depois do tratamento?

A) Seguimento sem reparo (acompanhamento)

  • Pressão sob controle, parar defumar, dieta equilibrada e atividade física orientada.
  • Exames de imagem regulares(ultrassom/TC/RM) para vigiar tamanho e velocidade de crescimento.
  • Em aneurismas por síndromes genéticas, seguimento também de parentes de 1º grau pode ser indicado.

B) Depois de EVAR/TEVAR (endovascular)

  • Recuperação mais rápida; alta precoce é comum.
  • Medicações: continuam as de risco cardiovascular (pressão, colesterol, antiagregante quando indicado).
  • Acompanhamento vitalício por imagem(para detectar endoleaks, migração, mudanças de diâmetro): tipicamente em 1 mês12 meses e anualmente (o esquema pode variar).
  • Sinais de alerta: dor nova em peito/costas/abdômen, febre persistente, piora da função renal — procurar avaliação.

C) Depois de cirurgia aberta

  • Internação um pouco mais longa; fisioterapia e cuidados com a incisão/esternotomia quando aplicável.
  • Durabilidade: enxertos têm excelente longevidade; a imagem de controle é necessária, mas geralmente com menor frequência que no reparo endovascular.
  • Riscos específicos variam conforme o segmento operado (ex.: torácico descendente/toracoabdominal têm risco de isquemia medular — prevenções são aplicadas em centros especializados).

Quando procurar ajuda com urgência

  • Dor súbita, intensa, “em rasgo”no peito/costas/abdômen
  • Desmaio ou queda de pressão
  • Falta de ar importante ou tosse com sangue
  • Déficits neurológicos(fraqueza, fala enrolada, assimetria facial)

Como se preparar para a consultas e exames

  • Leve lista de sintomas (quando começaram, o que piora/melhora).
  • Traga exames prévios (ultrassom, TC/RM, eco).
  • Medicamentos: nome e dose; informe alergias e insuficiência renal (importante para contraste).
  • Evite levantar pesos extremos até orientação médica.
  • Se houver história familiar de aneurisma/dissecção, avise — pode ser útil rastrear parentes.

Perguntas frequentes (FAQ)

1) Todo aneurisma precisa operar?

Não. Muitos são apenas vigiados com controle rigoroso da pressão e exames periódicos. Opera-se quando o benefíciosupera o risco (tamanho, crescimento, sintomas, genética).

2) Endovascular é sempre melhor que cirurgia?

Depende da anatomia e do perfil do paciente. Endovascular tem recuperação mais rápida, mas exige rastreamento vitalício e pode precisar de reintervenções. A cirurgia aberta é mais invasiva, porém muito durável.

3) Posso fazer exercícios?

Geralmente exercícios aeróbicos leves a moderados são encorajados. Evite picos de pressão (força máxima, prender a respiração). O plano é individual.

4) Medicamentos “encolhem” o aneurisma?

Não. Eles reduzem o risco (controlando pressão/colesterol, parando de fumar) e podem desacelerar o crescimento, mas não desfazem o aneurisma.

5) Tenho válvula bicúspide / Marfan — os limites mudam?

Sim. Em certas condições genéticas ou com história familiar de dissecção precoce, os limiares para reparar a aorta torácica costumam ser mais baixos. A decisão é personalizada.

Avisos importantes

  • Este conteúdo não substitui a consulta médica.
 
  • As decisões devem ser tomadas por equipe especializada, considerando localização, tamanho, crescimento, genética e suas preferências.